sexta-feira, 28 de maio de 2010

Descoberta do Brasil

Estou bastante surprendido com meus novos gostos musicais, cinematográgicos, e geográficos...

Sempre fui apaixonado pelo pop da rainha MADONNA
Pelas porduções hollywoodianos
Pelos estilistas e grifes internacionais
Pelo jeito de vestir dos europeus
Pela música deles
Pelos seriados
Pelos filmes
Pelos lugares...
Pela cultura.

Mas em um tempo recente tenho parado, refletido, olhado com cuidado e percebido uma outra realidade, ou seja, a realidade brasileria e tudo o que ela representa e apresenta.

Me voltei de tal forma a querer ver filmes brasileros,
atores, vários ótimo, por sinal
escritos...esses sim tem me surpreendido a cada dia
De Hilda Hilst, a Lygia Fagundes Telles, a Clarice Lispector, a Drummond (adoooro), a Mario Quintana, Martha Medeiros e principalemte a Caio F.
as belezas naturais do Brasil tem me encantado a cada dia
O Rio de Janeiro!!!!
O sol, o mar, a pele bronzeada, os corpos..
a comida..
o REI, logo ele que eu sempre achei brega...
a Gal
O Caetano
o Chico
o Seu Jorge
A Maria Rita
o Ney Matogrosso
a Rita Lee
será que antes não tinha maturidade suficiente para entendê-los?
Explorá-los...
Devorá-los?

Claro que continuo bastate crítico com algumas coisas do nosso país
Do terceiro Mundo como costumo dizer
a Luciana Gimenez
a Márcia
A Sônia Abrão
A onda do funk com MC´s e mulheres frutas....me arrepiam
as piriguetes!!!!!
O Pânico na Tv
O Pretinho Básico
A corrupção
A falta de respeito com o próximo
A falta de ética das pessoas que aqui vivem.
A falta de cultura e alienação da maioria das pessoas.

Porém tenho conseguido ver esse outro lado, também bom, já que antes só conseguia colocar defeitos em tudo que era nacional. isso pode ser considerado um avanço, ao menos para mim.

Essa mudança começou se dando com o cinema e agora passa por vários outros referencias, e com o tempo será, creio eu, estendida para outros setores, que ainda, não perei para analisar e refletir.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SONIA - NoPorn

Hoje vou postar uma música que tenho escutado muito e que fala por si só.


Enumerar novidades
Falar de sentimentos
Teletransportar momentos fotográficos
Descobrir razões existencialistas
Traçar planos de futuro
Lembrar noites alucinadas de verão
Vestir máscara robotizada
Chorar solidão radioativa
Gritar por lírios brancos
Cuspir palavras medrosas
Encarnar personagem nouvelle vague
Transmitir recados telegráficos
Sentir cheiros agradáveis
Enterrar páginas de diário
Ressussitar fantasmas pós-modernos
Rasgar cortinas transparentes
Matar insetos de paixão
Afogar peixes tristes
Furar olhos indiscretos
Enxugar lábios verborrágicos
Suar borboletas azuis
Perder o controle das emoções
Encontrar livros antigos perdidos
Revisitar florestas escuras
Parecer criança mimada
Comer chocolates amargos
Montar quebra-cabeça milenar
Traduzir contos egípcios
Digitar flashes íntimos
Devorar os próprios braços
Acender o último cigarro
Queimar a única chance
Evitar o encontro por acaso
Fugir antes que seja tarde
Dizer a pura verdade
Simular a eternidade das relações
Desprogramar o último ato
Eternizar a efemeridade das conveniências
Telegrafar lágrimas de sangue
Misturar chantily e desespero
Crer na hiperrealidade do veludo
Lamber os dedos cansados
Extraviar mensagens urgentes
Travestir você de alguém
Pedir um pouco de atenção
Esgotar toda paciência
Datilografar sinfonias cortantes
Acreditar no calendário
Detectar crueldades passivas
Delimitar a altura do muro
Ensaiar frases de efeito
Lamentar o som monocórdio
Reduzir o sentimento de culpa
Enxergar além do desejo
Determinar o sim e o não
Explodir de curiosidade
Roer todos os complexos
Exigir ação e reação
Decodificar segredos latentes
Entender que precisamos de fatos

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Algumas Reflexões

Depois de três anos submetendo-me a psicanálise percebi uma coisa bastante interessante que ainda não tinha me dado conta, talvez por distração, talvez por conveniência, talvez por ainda não estar preparado para entrar em contato com essa parte que me constitui.
Percebi isso claramente após ler o maravilhoso Caio F. e, desde então, me envolvi de maneira mágica, hipnotizada com seus escritos que não consigo parar de lê-lo, citá-lo e recomendá-lo.

A seguir o trecho que mudou radicalmente meu olhar sobre mim e sobre o mundo...
Faz parte do conto Além do Ponto

"... mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto."

Pois é, quanta coisa esse trecho traz para refletir.
Primeiramente é difícil saber quem se é, assumir isso, e ir ao encontro do que se quer.
Quem eu sou é a pergunta mais inconveniente e árdua para responder, nem que seja sucintamente.
Quase sempre temos certezas e convicções de nosso modo de vivenciar as experiências e temos repostas prontas, acabamos nos descrevendo de maneira superficial.
Mas e aquilo que apenas nós conhecemos em nós mesmos?
Aqueles porões mais escuros, aqueles desejos mais primários, crus, aquelas vontades reprovadas socialmente. Onde ficam? Não as temos? As negamos, escondemos?
Aqueles sonhos mais secretos, volúpias, gozos mais incomuns?
Escondemos de todos e de nós mesmos, por quê?
Não temos coragem de mostrar aos outros e afirmar a nossa identidade ou vamos fingindo ser alguém que gostaríamos, idealizaríamos.
Cabe aqui a etimologia da palavra personalidade que vem do grego persona que significa máscara
Então personalidade é a máscara que colocamos para nos apresentar ao mundo e aos outros
E vivemos nosso cotidiano baseados nela, fazendo forças, despendemos energia para que nosso ser verdadeiro não apareça, pois quando estamos de máscara podemos ser quem queremos ser

E na nossa própria companhia, quem somos?
Continuamos anestesiados e amordaçados pela nossa personalidade ou sentimos as coisas de maneira mais pura, real, verdadeira?
Mostramos a alguém o nosso ser verdadeiro ou continuamos fingindo até para nós mesmos?

Como será viver sem ter uma máscara?
O que tememos tanto?
A reprovação, a rejeição o abandono dos outros?
Porque fingimos ser o que não somos?
É mais fácil representar um papel social do que sermos autênticos e coerentes com nossos desejos, frustrações, irrealizações, experiências negativas...

Que representar é mais fácil não nos resta dúvida, ms e a ética com nós mesmos, onde fica?

Contradições de uma mente insana

Tenho percebido que sou habitado por desejos contraditórios
Como posso querer viver intensamente tudo de uma vez só?
Da dieta macrobiótica as bombas calóricas de chocalates amargos, cappuccinos, bolos...
Da vontade de ser zen em um cantinho reservado do mundo com pouca gente ao redor
A vontade de estar em New York, capital do planeta, vivendo tudo que o capitalismo pode me proporcionar.
Como habitam em meu ser a vontade de mudar o mundo e de vivê-lo intensamente do jeito que se apresenta
Como posso me preocupar com a miséria humana e com as condições que muitas pessoas vivem se quero me vestir de com as grifes mais caras e badaladas e estar junto das estrelas mais excêntricas e fúteis
Como posso amar o glamour e ter um fascínio pela decadência?

Como posso querer ser magérrimo e ao mesmo tempo um “marombado” de academia?
Como posso amar uma pessoa e querer ter sexo com todas as outras que me atraem?
Como ainda tenho coragem de estar em festinhas vazias e com pessoas alienadas se eu quero mergulhar no melhor da literatura e tornar-me um intelectual?

Como posso ser feliz com tanta miséria ao redor de mim
Como faço para esquecer coisas que são impossíveis de esquecê-las porque me pertencem e estão comigo em todos os momentos
Como beber sem ficar de ressaca?
Como posso fumar sem prejudicar meus pulmões?
Como posso amar e odiar ao mesmo tempo a mesma pessoa?
Como posso desejar me diferenciar de tudo e de todos e ao mesmo tempo querer passar despercebido?
Como posso classificar as pessoas em categorias estanques e fixas se existem outras possibilidades de ser sujeito no mundo
Como posso resistir a tudo que me constitui e ao mesmo tempo fazer parte disso tudo
Como posso pensar em outras formas de ser e viver conhecendo apenas o trivial e a mesmice

Pois é..

Tenho desejos em mim que são contraditórios
Poderei colocar tudo isso em suspensão e viver tudo o que eu quero um pouco...
Um pouco de cada vez ou tudo junto?
Em fases ou ciclos alternados ou ao mesmo tempo, um pouco a cada dia, minuto, segundo...


Desde sempre percebi que sou constituído por tendências opostas que acabam por me assustar...
Mas de uma coisa tenho certeza...

Nunca, jamais deixarei de desejar!!

terça-feira, 25 de maio de 2010

falar de sentimentos

Ando meio cansado...
Cansado da superficialidade das relações
Cansado da futilidade das pessoas
De seus desejos egoístas, vazios, mesquinhos.
De relações interesseiras
De reclamações sem fundamento
De falta de educação e grosseria
De esperar que coisas boas aconteçam
De ter fé...

Eu que sempre me considerei uma pessoa boa, outrora até ingênua, tenho sofrido muito ultimamente.
Sofrido por viver nesse mundo cruel e frio, sem proteção.
No qual todos querem alcançar uma felicidade imediata
Que de tão imediata não existe, apenas em desejo...

Estou derramando lágrimas de sangue
Lágrimas pelos sofredores, sensíveis como eu
Que conseguem perceber que o Mundo em que vivemos não está bem
Não quero falar as pessoas alienadas e que nada percebem
Meu intuito é refletir, mas isso dói e como dói.
E eu escondo essa dor de todos e até de mim mesmo
Derramo lágrimas que em nada vão conseguir mudar a realidade, ou, quem sabe, como sempre fui bastante esperançoso elas ajudem de algum modo, mas não sei de qual...

Porém agradeço por estar vivo e ter a oportunidade de estar nesse mundo cruel
Não pedi pra nascer, mas já que estou é porque algum objetivo tenho a cumprir.
Porém me interrogo qual seria?
O que tenho que aprender para alcançar a redenção e me completar como ser humano?
Quanto mais de sofrimento terei que passar?

Até pouco tempo esses pensamentos estavam latentes, mas agora vieram jorrados
Esparramados
Como se rompessem as barreiras da resistência e me invadissem de algum modo
E eu não posso fugir...
Eu sou habitado por eles
Que me perseguem, seduzem, penetram e arrepiam
Deixam-me em estado de choque
E que me pertencem e a mais ninguém...
São meus
Exclusivamente meus.
Não os compartilho com ninguém, embora quisesse.
Mas ainda não achei ninguém para fazê-los, pois são especiais.

E merecem serem compartilhados com pessoas especiais.
Mas Deus, como é difícil encontrá-las nesse mundo tão cheio de pessoas sedentas pelo capital e por tudo o que ele pode proporcionar.
Tão esperada felicidade instantânea
Não quero ela para mim...
Eu desejo mais do que isso

Eu quero outro tipo de felicidade que não consigo definir qual seria
Até porque definir seria limitá-la como diria O. Wilde
Eu a quero por inteiro e para sempre

Para que eu possa desfrutá-la em todos os momentos de minha existência
E que seja para sempre como nos contos de fadas...
E que eu a possa compartilhar com quem amo
Meus amigos, familiares e quem sabe o amor de minha vida
Se algum dia eu o encontrar.
Quem sabe em um bar de esquina
Tomando uma vodka barata e fumando um cigarro
Quem sabe em uma livraria acompanhado de um exemplar de Caio F.
Quem sabe em uma esquina imunda qualquer...
Ou em um trem sem destino
Ou em um parque de diversões
Ou quem sabe ele não exista
Ou quem sabe ele não goste de mim, não me reconheça, já esteja comprometido
Qu quem sabe ela já tenha morrido
E o que eu farei?
Gritarei
Ficarei desesperado
Aflito
Doente
Velho, bêbado e acabado!!!

E se eu o encontrar e ele não for tudo o que eu pensava, idealizava, sonhava..
E se ele vier com defeitos, poderei devolvê-lo?
Com quem reclamarei?
Mas ele é uma mercadoria para que eu possa fazer isso?

É...

Estou impregnado com os preceitos capitalíticos mais do que eu pensava
E o que eu faço
Resmungo
Esperneio
Bebo
Acendo um cigarro
Drogo-me para esquecer
Ou aceito
Mas como...
O que eu faço...